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Análise: Heavenly Sword

Em Análises | 23/03/2010 20:25 Heavenly Sword

A vida pelo caminho da espada

Escrito em Jun/2008

Com o surgimento da nova geração, a produção de games de proporções cinematográficas passou a fazer parte do cotidiano dos jogadores. A partir do poderio gráficos dos consoles atuais, os games têm cada vez mais se aproximado dos filmes, tanto em roteiro quanto em fotografia e desenrolar de história.

Partindo da premissa de game cinematográfico, Heavenly Sword ostenta uma produção invejável, com um voice casting de primeira e uma direção dramática ímpar que, unidos a um roteiro bem elaborado e à competência da Ninja Theory, formam um dos primeiros grandes games épicos dessa nova geração.

Heavenly Sword Animation

Lançado no final do terceiro trimestre de 2007, Heavenly Sword traz-nos a história de uma antiga profecia que tratava sobre o surgimento de um guerreiro enviado pelos céus o qual, utilizando-se da espada dos deuses (a Heavenly Sword do título) enfrentaria um grande mal e traria a vitória a seu povo. Nariko, a protagonista do jogo, é tida como um desses guerreiros, embora contrarie a crença de seu clã que acreditava ser um guerreiro masculino aquele ao qual a profecia aludia. Em um momento de desespero de seu povo, Nariko assume as lâminas da Heavenly Sword contra as forças do Rei Bohan, monarca que anseia avidamente os poderes da gloriosa espada, em uma grandiosa e sangrenta jornada.

Com gráficos soberbos, Heavenly Sword é um dos mais belos títulos da primeira leva de jogos do PlayStation 3, e ainda hoje mantém-se mui belo graficamente, mesmo após o lançamento de games como Uncharted e Metal Gear Solid 4, que mostram muito do que o console tem a oferecer. Os cenários são gigantescos, com um senso de profundidade realista e um grande nível de detalhamento nas texturas, em sua maioria em altas resoluções. Os modelos dos personagens são excelentes, com muitos detalhes que os tornam únicos – Flying Fox e Roach são esplendidamente modelados e ímpares em suas concepções. As expressões faciais e os movimentos dos personagens são extremamente verossímeis, graças à direção dramática de Andy Serkis (mais conhecido como o molde e voz de Gollum na trilogia Senhor dos Anéis), que conseguiu coordenar com maestria as falas e gestos dos personagens. Destaco a atuação de Anna Torv, dubladora (na versão em Inglês) e modelo de Nariko. Suas expressões e entonações concedem à personagem carisma e sensibilidade únicos.

Flying Fox

No departamento sonoro, o jogo é igualmente épico. Os efeitos são excelentes, sejam nas lâminas das espadas, nas quebras de cenário ou nas frases incidentais dos oponentes. As dublagens são de uma qualidade tão excepcional quanto o restante do Obra, com os personagens tendo entonações e trejeitos próprios marcados por suas vozes que, unidos à perfeição da sincronia labial, fazem do voice acting de Heavenly Sword um dos melhores já apresentados em um game. A trilha sonora, composta pelo inglês Nitin Sawhney é belíssima, com largo uso de tons graves e percussões para assegurar o clima grandioso das batalhas, além de características típicas de músicas indígenas, as quais garantem um clima suave e ao mesmo tempo misterioso, tornando a trilha de Heavenly Sword tanto épica quanto singular.

A jogabilidade, rica e precisa, é excelente, lembrando em muito outro clássico game da Sony, God of War. A partir de cinco tipos de golpes distintos, tem-se uma infinidade de possibilidades, muitas destas destrancáveis conforme o desempenho do jogador. No tipo Speed Stance, tem-se golpes rápidos e em grande quantidade; em Power Stance, tem-se golpes fortes que, embora lentos, retiram muita energia do inimigo; já em Range Stances, tem-se um conjunto de golpes que permitem afastar os oponentes e outros males com o uso da espada atada a correntes (a lá Kratos da franquia God of War); com os Aerial Combos, tem-se golpes aéreos performáticos e devastadores, que podem ser executados com o uso do Sixaxis, em uma interessante implementação; e por último, com os Superstyles, tem-se golpes executados com apenas um botão a partir do preenchimento de uma barra, que sempre causam a morte dos oponentes. A defesa, infelizmente, é feita praticamente de modo automático enquanto o jogador não ataca, sendo que conforme o tipo do ataque recebido, inferido pelas cores dos movimentos dos oponentes, tem de se utilizar o botão (R1 ou R2) que define o tipo de golpe.

Além da riqueza de golpes, que fazem de Heavenly Sword um ótimo hack & slash, a jogabilidade apresenta-se diversificada a partir do uso de botões para execução de ações diversas quando em batalha (lembrando mais uma vez o já citado God of War) e quando no controle de Kai, irmã adotiva de Nariko, a qual utiliza-se de um arco-e-flecha para abater seus oponentes. Nessa modalidade, o Sixaxis pode ser utilizado para controlar o movimento da flecha até o personagem, de forma prática e bem implementada. Além disso, quando em movimento, Kai pode pular sobre outros personagens para desviar-se de ataques ou mesmo seguir adiante.

Nariko

Assim como Kai, em certas partes do jogo Nariko também empunha outros tipos de armas, tanto para ataques quanto para resolução de puzzles, sendo que novamente o Sixaxis pode ser utilizado para assegurar a precisão dos disparos. Em certos momentos do jogo, centenas de oponentes surgem na tela e, com o uso de um canhão, Nariko passa a abatê-los em grandes quantidades. É bem divertido e graficamente belo ver dezenas de guerreiros explodindo pelos ares com os projéteis!

Conquanto seja um excelente game em muitos aspectos, Heavenly Sword padece de alguns problemas que podem desagradar a muitos. O principal deles é sua duração. Curtíssimo, podendo ser finalizado em cerca de 5h, faz de sua experiência de jogo uma verdadeira montanha-russa. Como a ação é desenfreada, o game parece muito menor do que de fato é. Além disso, os pequenos loadings freqüentes entre uma cut-scene e outra e entre uma cut-scene e o game, além do loading básico do game de alguns segundos mesmo no reinício de um capítulo, somados às constantes quedas de framerate ofuscam (ainda que minimamente) o brilho do jogo.

Na tentativa de aumento da longevidade do título, o game conta com vários extras destrancáveis muito interessantes, além de um novo modo de maior dificuldade liberado após o término do game. Entre os extras, merecem destaque os dois episódios em desenho animado que contam a lenda da espada, o making-of do jogo e os novos combos para cada um dos tipos de golpes disponíveis.

Embora curto, Heavenly Sword é uma experiência marcante e singular, contando com um sistema de combos excelente e polidamente preciso, além de gráficos soberbos e uma emocionante história de lealdade e vingança, contada de maneira dramática e épica. Ainda que possua seus problemas, o título tem altíssimos valores de produção e prenderá a atenção do jogador do início ao fim, sendo um dos grandes títulos atualmente disponíveis para o monolito negro da Sony.

Pontos positivos

Pontos negativos

Ficha técnica

Heavenly Sword cover

Galeria

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“Humans have a broad emotional palette. Games are good at accessing a small part of that palette.” - Robin Hunicke