Voltar

Crítica: Planeta dos Macacos: A Origem

Em Análises | 08/09/2011 20:29
CartazCartaz do filme veiculado em São Paulo
com a ponte estaiada ao fundo.

[Análise crítica publicada originalmente em 28/08/2011 no blog Cinesserie.]

Depois do desastroso remake de 2001, que mesmo com Tim Burton na direção não conseguiu ir além de um filme ruim repleto de atores com máscaras simiescas de látex, qualquer nova investida no universo de 'O Planeta dos Macacos' soava temerosa. Tentar superar original de 1968 de Franklin J. Schaffner seria uma tarefa árdua, ainda mais pelo status de clássico que a película possui. Então, Rupert Wyatt, diretor com poucos filmes no currículo (e por isso mais um motivo para preocupações), ao invés de criar uma refilmagem ou uma continuação da história original, resolveu seguir pelo caminho inverso: contar como tudo começou, como a Terra foi dominada - ou ao menos habitada em sua maioria - por macacos. E, apesar da nova abordagem, isso não significa que Wyatt não corria o risco de ser chamado de herege.

Cena do filme

Porém, ainda que seu diretor não fosse um dos mais experientes de Hollywood e os efeitos especiais da competente WETA fossem alardeados de modo que a história parecesse ser o item menos importante da produção, Planeta dos Macacos: A Origem conseguiu ir além do clássico de 1968, apresentando um drama no qual os macacos são os grandes protagonistas e os homens distantes seres erráticos que, no afã de criar curas para todos os males, acabam gerando sua própria extinção.

Contando a história de César, macaco nascido em laboratório que herdou de sua mãe, cobaia de testes de uma nova droga para cura do Alzheimer, capacidades cognitivas e inteligência próxima a dos humanos, o filme acompanha seu amadurecimento e insatisfação com os maus-tratos perpetrados pelo homem, culminando na liderança de seus companheiros primatas rumo à liberdade. O roteiro, escrito a quatro mãos por Rick Jaffa e Amanda Silver, mostra os macacos como uma minoria excluída que se rebela contra os humanos, em uma trama que se esforça para apontar os tão discutidos perigos da ciência, insinuando que a cura pode acabar se tornando a grande causadora das doenças. Porém, mesmo um bom enredo não conseguiria se manter se os animais não fossem críveis.

Cena do filme

Com atuações humanas medianas, nas quais se destacam James Franco e John Lithgow, a grande estrela do filme se mostra César, primorosamente caraterizado por Andy Serkis. Em um filme no qual a maioria das cenas é composta apenas por macacos, expressões faciais e gestos têm papel preponderante na exposição de sentimentos e falas sem palavras. E Serkis conseguiu uma recriação simiesca tão fiel que esbanja realidade, com o mesmo cuidado sendo mantido com cada um dos outros primatas, todos tão perfeitamente animados que poderiam muito bem ter saído do zoológico mais próximo.

Há quem possa dizer que as proporções dos símios estejam estranhas e que mesmo a física dos modelos 3D tenha lá seus problemas. Todavia, essas são apenas observações menores dada a beleza da trama, a estupenda fotografia e as cenas memoráveis que ficarão em nossas mentes por um longo período. Rupert Wyatt podia até ser um diretor desconhecido, mas depois de Planeta dos Macacos: A Origem, ele com certeza mostrou sua capacidade em contar grandes histórias.

E não se esqueçam de aguardar mais alguns minutinhos após o término do filme: há uma cena bastante reveladora durante os créditos finais!

Imagens: divulgação.

Comentários
Comentar
Campos marcados com * são obrigatórios. Seu e-mail não será exibido.
*
*
*
Captcha *
CATEGORIAS AO TOPO E ALÉM LUGARES PARA IR
Topo

“The media can convince everybody that it's real.” - Atribuído a Nicholas Rockfeller