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Postmortem Brasil Game Show 2010

Em Eventos | 22/11/2010 01:36, atualizado em 22/11/2010 10:57 Brasil Game Show

Os gamers brasileiros já estão acostumados: nosso país é um destino ignorado no caminho das produtoras de games. Sofremos com lançamentos atrasados, preços abusivos e tantos outras demonstrações de descaso que os jogadores estão mais do que acostumados (sem citar também a famigerada pirataria). Porém, mesmo com tantos pontos negativos, o mercado de games brasileiro busca sair do limbo, esforçando-se para convencer os jogadores de que temos potencial e que num futuro não tão distante poderemos comprar nossos tãos amados joguinhos em terras tupiniquins a preços justos.

Brasil Game Show

O evento Brasil Game Show, que ocorreu nos dias 20 e 21 de Novembro de 2010 no Centro de Convenções SulAmérica no Rio de Janeiro é um desses louváveis esforços em mostrar o potencial de nosso país no mercado de jogos digitais.

Com patrocínio da gigante Sony, apoio das distribuidoras Blizzard, Warner, EA e Codemasters e um mega estande da distruibuidora NC Games, o Brasil Game Show foi o maior evento de games já realizado em nosso país de que tenho lembranças. Havia diversos lançamentos para serem apreciados, campeonato oficial de StarCraft II acontecendo in loco (com narradores no melhor estilo futebolístico de ser), palestras de alto nível com pessoal internacional e apresentação do ainda vindouro reboot do Mortal Kombat com direito a discussão ao vivo com o produtor do jogo, Hector Sanchez.

Interessante pontuar também a quantidade de pessoas que prestigiaram o evento. Embora não tenha um número exato, pelo menos 30 mil pessoas passaram pelos portões do centro de convenções. Logo na manhã do dia 20/11 a fila fora do local já dobrava esquinas, o que mostra o quanto o público gamer brasileiro está carente de eventos de jogos.

O que deu certo

1. Conhecer companheiros gamers de diversos estados

Brasil Game ShowAmigos (antes) virtuais do FinalBoss.

De todos os pontos positivos do evento, não poderia deixar de citar o pessoal que lá estava. Muita gente bacana, divertida e entendida de jogatina. Pude conversar com pessoal dos mais diversos estados e das mais diversas idades e só constatei uma coisa: o Brasil está repleto de jogadores sedentos por fazer esse mercado crescer.

O destaque fica para os amigos virtuais do Finalboss, fórum do qual participo desde 2005. Divertidíssimos, badernamos bastante e ainda tivemos direito a sorteios de brindes patrocinados pelo grande Ervo, cicerone oficial da turma no Rio de Janeiro e chefão do site.

2. Patrocínio da Sony

Brasil Game ShowVisão geral do estande da Sony.

Realmente a Sony impressinou. Seu estande era um dos maiores e mais organizados no evento, com todos os principais lançamentos do PlayStation Move disponíveis para serem jogados, além de uma fileira de cabines de Gran Turismo 5 Prologue com o fantástico Driving Force GT e todas as versões de God of War para teste em uma sala montada atrás de um gigantesco banner de Kratos. Ponto para a Sony!

3. Possibilidade de experimentar diversos lançamentos

Os estandes da NC Games e da WB games traziam diversos lançamentos dos últimos meses para todos os consoles de mesa, todos jogáveis. Destaque para o estande da NC Games, com diversos telões passando trailers e permitindo uma sessão de jogo em maiores dimensões.

4. Palestras

Muitas palestras de qualidade marcaram o Brasil Game Show de 2010. Várias participações internacionais e temas relevantes aumentaram em muito o nível das discussões. Destaque para a excelente explanação do Fausto de Martini sobre as cinemáticas do StarCraft II e para a apresentação do Mortal Kombat pelo seu produtor, Hector Sanches.

5. Hector Sanchez e Mortal Kombat

Brasil Game ShowEstande da WB Games, EA e Codemasters.

Ter o produtor de um grande game como será este novo Mortal Kombat em um evento brasileiro de jogos realmente é uma honra. Carismático, o produtor estava sempre por perto no estande da WB Games conversando com o público sobre seu jogo, o qual era apresentado ainda em um release beta em consoles de desenvolvimento (sem dúvida outro ineditismo em eventos de games no Brasil).

6. Torneio oficial de StarCraft II

Para os fãs ardorosos do excelente StarCraft II, o torneio Latino-americano foi o suprasumo do evento. No dia 21/11, era muito difícil passar pelo estande da Blizzard, na qual o torneio ocorria. Centenas de pessoas acompanhavam atentamente o telão mostrando as partidas finais do torneio, todas devidamente narradas e comentadas.

7. Participação de empresas brasileiras de games

Ver o pessoal do Behold Studios e do Aiyra com seus games rodando ao vivo para o público testar foi algo fantástico. Os projetos de ambas as empresas eram sólidos, interessante e divertidos - mais um sinal de que o Brasil tem sim potencial para desenvolver games de entretenimento de qualidade.

O que deu errado

1. Cadê a Microsoft e a Nintendo?

Apesar de a Sony ter um grande estande no evento, nem a Microsoft nem a Nintendo estiveram oficialmente por lá. Inclusive o único Kinect da feira era encontrado apenas atrás de muitas filas no estande da escola Seven.

2. Muita gente, pouco espaço e infinitas filas

Brasil Game ShowLotação na Brasil Game Show:
milhares de pessoas = filas imensas.

O Centro de Convenções SulAmérica não é tão grande quanto parece mas mesmo assim os estandes ficaram bem organizados e divididos. Porém, a quantidade de pessoas era absurdamente grande, o que gerava gigantescas filas e muita dificuldade para se locomover de um estande a outro, principalmente nos mais concorridos como os da Sony, Blizzard, WB Games e NC Games. De fato, parece que a organização não esperava a quantidade de público que visitou o evento.

3. Faltaram restaurantes

Se já era difícil vencer as filas para jogar, conseguir algo para comer nos restaurantes era ainda mais complicado. Como não se podia sair do evento após a entrada, a maioria do público acabava por buscar seu lanche ali mesmo, exponenciando o tamanho das filas - e havia apenas 4 lugares aonde se podiam comprar alimentos, água e afins.

4. Falha na divulgação da programação no evento

Ao chegar no evento, as Booth Babes da entrada somente entregavam panfletos de propaganda - nada de programação do evento. Embora tal informação estivesse no site, a falta de um local para consulta dentro do evento tornou o passeio um pouco problemático.

Brasil Game ShowConfigurações de última hora no PS3
de um dos telões no estande da Sony.

5. Sony e seu adiado GT5

A lenda dizia que a Sony traria um mega estande com muito da experiência apresentada na E3 deste ano. Em certa medida, muita verdade: o estande realmente era bem completo e expondo praticamente tudo o que família PlayStation tem a oferecer. Mas, junto dessa lenda, vinha a informação de que o (eternamente) adiado Gran Turismo 5 estaria em versão jogável no evento. Novamente em certa medida, havia um Gran Turismo 5 lá: mas o Prologue, lançado no já tão longínquo 2007.

6. Só o Mega Driver?!

Com outras bandas de músicas de jogos como Gameboys e músicos como Thiago Adamo fica difícil entender porque somente o pessoal do Mega Driver foi convidado a tocar e apenas em uma parte do dia. Poderia ter havido mais bandas e uma melhor divisão do tempo para que o público pudesse prestigiar o trabalho de outros músicos que se dedicam a Game Music no Brasil.

Portanto...

Indubitavelmente o evento foi excelente dentro dos padrões brasileiros de atividades gamers. Evidentemente não teve toda a pompa e tamanho de uma E3 nem o estardalhaço de anúncios de uma Tokyo Game Show (e de fato nem considero justo compará-lo com tais eventos internacionais), mas com certeza se o evento seguir evoluindo a cada ano juntamente com nosso mercado o Brasil Game Show com certeza chegará lá.

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